
Santa Catarina não cumpriu o objetivo traçado para a alfabetização infantil em 2025 — e o resultado preocupante colocou o estado sob a lupa do Tribunal de Contas (TCE/SC). Levantamentos do Inep revelam que apenas 63% das crianças chegaram ao fim do ano letivo plenamente alfabetizadas, ficando quatro pontos percentuais abaixo da meta de 67% prevista para o período.
O índice foi debatido em reunião convocada pelo próprio Tribunal, que classificou o desempenho como crítico e sinalizou que a educação básica precisará de uma virada na forma como as políticas públicas são planejadas e executadas. Para 2026, o desafio se torna ainda maior: a meta sobe para 70% de estudantes alfabetizados até o 2º ano do ensino fundamental.
Como resposta, o TCE anunciou que a alfabetização passará a ocupar posição central em sua agenda de controle. A ideia vai além de checar números — o Tribunal quer acompanhar de perto a execução das políticas, monitorar a colaboração entre Estado e municípios, dar maior relevância aos dados educacionais na análise das contas públicas e conduzir auditorias específicas na área.
O encontro também escancarou falhas no sistema estadual de avaliação aplicado em 2025, com problemas que vão do planejamento à logística e à aplicação das provas. O TCE apontou ainda a ausência de uma política de alfabetização integrada entre os diferentes níveis de ensino como um dos principais obstáculos para a melhora dos indicadores.
Um dado chamou atenção: em 2024, cerca de 24,3 mil crianças entre 4 e 6 anos, oriundas de famílias em situação de vulnerabilidade, estavam fora das salas de aula em Santa Catarina — número que vem crescendo nos últimos anos e que preocupa especialistas pelo impacto direto nos resultados futuros de aprendizagem.

