
Um dos médicos responsáveis pelo atendimento de Maria Luiza Bogo Lopes foi desligado temporariamente do Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, em caráter preventivo. A jovem de 18 anos, que estava no sétimo mês de gravidez, veio a óbito junto com a filha após sucessivas falhas no cuidado que recebeu ao buscar assistência médica em quatro ocasiões distintas, conforme aponta a investigação conduzida pela Polícia Civil.
A direção do hospital confirmou o afastamento do profissional na semana passada, ressaltando que a decisão foi motivada pela “gravidade e sensibilidade dos fatos”, sem representar qualquer conclusão antecipada sobre sua responsabilidade. Paralelamente à investigação criminal em curso, a instituição conduz uma apuração interna, mas alega depender do prontuário médico do Hospital Santo Antônio, de Blumenau — onde Maria Luiza faleceu — para fechar sua própria análise. O documento foi solicitado no dia 7 de abril e ainda não havia sido entregue até a publicação da reportagem.
O Santo Antônio, por sua vez, explicou que o prontuário é um registro sigiloso protegido por lei e não pode ser compartilhado diretamente entre hospitais, sendo acessível apenas ao paciente, a familiares autorizados ou às autoridades competentes. A unidade confirmou ter colocado o documento à disposição dos órgãos responsáveis pela investigação.
A Polícia Civil intimou cinco médicos para depoimento — quatro do Beatriz Ramos e um do Santo Antônio — além de outros dois considerados suspeitos, que serão formalmente interrogados. A mãe de Maria Luiza também prestou esclarecimentos à polícia.
O laudo elaborado pela Polícia Científica com base nos registros médicos identificou falhas em dois dos quatro atendimentos realizados no hospital de Indaial. A conclusão mais grave do delegado responsável é que a jovem deveria ter sido internada já na segunda visita, quando os exames começaram a indicar queda nas plaquetas — sinal de alerta especialmente relevante por se tratar de uma gestação classificada como de alto risco, em razão do diagnóstico recente de diabetes gestacional. Nessa ocasião, segundo relato da mãe, a médica levantou a hipótese de dengue, mas o exame específico para a doença só foi realizado quando Maria Luiza chegou ao Hospital Santo Antônio.
Na terceira ida ao Beatriz Ramos, ela não passou por nenhuma investigação complementar — apenas foi medicada e liberada. Já na quarta visita, chegou visivelmente debilitada, com partes do corpo arroxeadas e sinais de desidratação severa, conduzida por equipe do posto de saúde onde realizava o pré-natal. Foi então transferida em estado crítico para Blumenau.
No Hospital Santo Antônio, Maria Luiza passou por um parto de emergência do qual a bebê não sobreviveu. Uma hora e meia depois, a mãe também morreu. O exame confirmou dengue hemorrágica. As duas foram enterradas no fim de semana de Páscoa, e a família registrou denúncia de negligência médica na delegacia.
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