
Após dez dias de sessões intensas no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a Justiça pronunciou seu veredicto na madrugada desta quinta-feira (4) sobre um dos crimes que mais chocou o Brasil nos últimos anos. O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi sentenciado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão pela morte do enteado Henry Borel. Já a mãe da criança, Monique Medeiros, saiu do tribunal com o perdão judicial nas mãos.
O conselho de sentença acatou integralmente a tese do Ministério Público, reconhecendo que Jairinho submeteu o menino a agressões repetidas até culminar em sua morte, além de tê-lo torturado e pressionado testemunhas durante as investigações. A pena foi distribuída entre homicídio duplamente qualificado (35 anos, 6 meses e 20 dias), tortura (6 anos e 3 meses) e coação processual (2 anos).
Ao proferir a sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro teceu duras críticas ao réu, descrevendo-o como portador de uma personalidade “insidiosa e dissimulada”, capaz de ocultar sua crueldade diante da fragilidade de uma criança.
O caminho de Monique foi diferente. Os jurados afastaram o dolo no homicídio, entendendo que sua conduta configurou negligência. A magistrada concedeu o perdão judicial considerando a primariedade da ré e levantou uma crítica ao julgamento social que ela enfrentou, classificando-o como “claramente discriminatório de gênero e influenciado pela cultura patriarcal”. Ainda assim, Monique foi penalizada a 1 ano e 4 meses por omissão diante das torturas sofridas pelo filho — período já cumprido durante o processo.
Ao longo de dez dias, 22 testemunhas foram ouvidas antes que réus prestassem seus depoimentos, encerrando a primeira instância de um caso que marcou a história judicial brasileira.
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