
Um apartamento em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, se tornou palco de uma das situações mais críticas de maus-tratos animais já registradas no estado. Um laudo técnico elaborado após vistorias realizadas nos dias 21 e 22 de maio revelou que seis integrantes das equipes de atendimento sofreram lesões durante os trabalhos no imóvel e precisaram de socorro ambulatorial, evidenciando o que o documento chamou de “risco ocupacional concreto”.
O apartamento, habitado por uma idosa de 73 anos, abrigava uma superpopulação de gatos que cresceu de forma descontrolada ao longo de aproximadamente uma década. O que começou com um casal de felinos evoluiu, sem qualquer controle reprodutivo, para mais de 400 animais contabilizados em setembro de 2025. Na vistoria mais recente, foram encontrados 119 gatos, e o sumiço dos demais levantou dúvidas entre os técnicos.
O ambiente descrito no laudo é perturbador: fezes espalhadas por todos os cômodos, odor insuportável, risco sanitário elevado e animais escondidos em móveis, assustados e, em alguns casos, agressivos. Parte dos felinos apresentava feridas graves na boca, verminoses, diarreia, infestação de pulgas e piolhos, além de suspeitas de doenças transmissíveis. Telas de proteção nas janelas foram encontradas danificadas ou cortadas.
Diante da gravidade, a Justiça atendeu pedido do Ministério Público e determinou a retirada gradual dos animais, com meta mínima de 25 resgates por dia. Os gatos serão encaminhados para vacinação, tratamento, quarentena e castração antes da adoção. A moradora também receberá acompanhamento psicossocial.
Imagens: ONG Con Animal

