
Uma rotina de trabalho pesada virou também treinamento de atleta para Maria Ângela Costa, 43 anos, coletora de lixo em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. Conhecida como “Ângela Poderosa”, ela chamou atenção ao conquistar o segundo lugar na prova de 5 km da Meia Maratona de Itajaí, realizada no último domingo (14), em comemoração aos 116 anos da cidade.
Natural de Rio Branco (AC), Ângela vive em SC há anos e trabalha há oito anos na coleta de lixo. Hoje integra a equipe da empresa Recicle, em Navegantes, após passar por outras companhias do setor em Itajaí. O dia dela começa ainda de madrugada: antes das 4h30, já está de pé para encarar o expediente.
Ao longo da jornada, ela corre atrás do caminhão de coleta, sobe e desce da plataforma, passa de rua em rua e soma quilômetros diários – esforço que, com o tempo, se transformou em “treino funcional” para as competições. Moradores começaram a notar o ritmo e a incentivar: “Vai, guerreira, tu consegue!”, lembra.
A corrida, porém, ganhou um significado muito maior do que medalhas. Ângela conta que enfrentou um quadro de depressão e encontrou no esporte uma forma de renascer. “O que me tirou da depressão foi o esporte. Quando estou triste, saio para correr”, afirma. Hoje, além de trabalhar como gari, coleciona troféus em provas de rua pela região.
Mesmo lidando com uma lesão recente, ela subiu ao pódio em Itajaí. Para conciliar trabalho, treinos e a rotina em casa, precisa de disciplina e renúncias. Depois do expediente, muitas vezes já à noite, ainda vai para a academia fazer fortalecimento muscular. Com bom humor, resume o esforço: “A gente dói de tanta coisa, meu Deus. Mas quem tem objetivo tem que correr atrás, porque sonho não tem perna, mas a gente tem”.
Além dos treinos, Ângela também cuida da alimentação, priorizando comidas mais naturais e reduzindo o açúcar, em busca de mais saúde, desempenho e qualidade de vida.
Imagens: @angelapoderosa2024/Maria Ângela Costa/Instagram

