
Uma decisão do Tribunal do Júri de Florianópolis causou surpresa e indignação entre integrantes do Ministério Público de Santa Catarina. Foram absolvidos, nesta quinta-feira (25/6), João Vivaldino Córdova Lottin, de 63 anos, conhecido como “João Boiadeiro”, e Marcel Aparecido Albuquerque, de 55 anos, apontados como envolvidos no assassinato de Ana Beatriz Schelter, de 12 anos.
Ana Beatriz desapareceu no dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, após sair de casa para ir à escola. No dia seguinte, o corpo da menina foi localizado dentro de um contêiner às margens da BR-470. Laudos periciais indicaram que ela foi vítima de violência sexual e morreu por asfixia, afastando qualquer hipótese de suicídio.
João Lottin respondia por estupro de vulnerável e homicídio qualificado, com agravantes como asfixia, emboscada e feminicídio. Já Marcel era acusado de fraude processual qualificada, por supostamente auxiliar na ocultação do corpo e na criação de uma cena que simulasse suicídio.
O caso já havia levado à condenação do primeiro réu, Mário Pfleger, sentenciado em maio a 58 anos e 9 meses de prisão. A defesa conseguiu transferir o julgamento de Rio do Sul para Florianópolis, sob o argumento de que a forte repercussão na cidade poderia influenciar o júri.
A absolvição de João e Marcel contrariou a expectativa do Ministério Público. O promotor Jonnathan Augustus Kuhnen afirmou que as provas reunidas apontam a participação dos dois no crime. Segundo ele, embora a decisão do júri seja respeitada, há elementos consistentes para que o veredito seja revisto em instância superior.
O Ministério Público já informou que irá recorrer, e o processo continua em andamento na Justiça catarinense. O caso segue mobilizando a opinião pública pela gravidade dos fatos e pela busca de responsabilização dos envolvidos na morte de Ana Beatriz.
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