
Há momentos em que o peso do uniforme vai muito além do que qualquer treinamento é capaz de preparar. Na madrugada deste fim de semana, um socorrista viveu um dos episódios mais devastadores que um profissional de emergência pode enfrentar: ao chegar ao local de um grave acidente na BR-376, em Mauá da Serra, no Paraná, ele se deparou com uma das vítimas e reconheceu, entre os feridos, o próprio filho.
O jovem, de 24 anos, conduzia um veículo que capotou na rodovia por volta das 0h50, no km 290. O carro transportava cinco ocupantes e, com a violência do impacto, todos foram arremessados para fora do veículo. A equipe de resgate, que retornava de outra ocorrência, foi acionada para o local sem qualquer indício do que encontraria.
Apesar do empenho imediato das equipes de emergência e do atendimento iniciado o mais rápido possível, o jovem não resistiu aos ferimentos. As demais vítimas foram socorridas e encaminhadas em estado grave para unidades de saúde da região.
A cena do pai socorrista diante do corpo do filho sintetiza, de forma brutal, a realidade silenciosa de quem escolhe salvar vidas como profissão. São homens e mulheres que enfrentam diariamente o imprevisível, sem saber que, em uma virada de madrugada, o chamado pode ser o mais doloroso de todos. Uma história que emociona, que pesa e que não deveria precisar ser contada.
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