
A União Europeia anunciou nesta terça-feira, 12 de maio, a retirada do Brasil da lista de nações autorizadas a comercializar carnes e derivados de origem animal com o bloco europeu. A medida entra em vigor no dia 3 de setembro e coloca em risco um dos mais valiosos mercados para o agronegócio brasileiro.
O motivo central da decisão é regulatório: segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou comprovações suficientes de que controla adequadamente o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias, utilizadas tanto no tratamento de doenças animais quanto para estimular o crescimento dos rebanhos, preocupam o bloco pelo risco de gerar resistência bacteriana em humanos. Entre os produtos vetados estão virginiamicina, avoparcina, tilosina e bacitracina.
Na prática, carnes bovinas e de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados ao consumo podem ser barrados nas fronteiras europeias caso o Brasil não comprove adequação sanitária até o prazo estabelecido. Argentina, Paraguai e Uruguai, vizinhos do Mercosul, permaneceram na lista de países autorizados.
Embora o governo brasileiro tenha publicado em abril uma portaria restringindo parte dos antimicrobianos usados como promotores de crescimento, a Comissão Europeia avalia que as garantias ainda são insuficientes.
Entidades do setor como Abiec e ABPA afirmaram que seguem trabalhando com o Ministério da Agricultura para atender às exigências antes do prazo final.

