
Nesta terça-feira (26), a Polícia Civil deflagrou uma operação de grande porte para apurar suspeitas de corrupção e manipulação em um processo seletivo público conduzido pelo Detran de Santa Catarina. Batizada de “Operação Efeito Dominó”, a ação mobilizou agentes para o cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão distribuídos em seis municípios catarinenses e uma cidade paranaense, todos embasados em ordens judiciais expedidas no âmbito da investigação.
O alvo central das apurações é o edital destinado à renovação dos integrantes das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações — órgãos responsáveis por julgar contestações de multas de trânsito. Segundo os investigadores, o certame foi deliberadamente adulterado para favorecer pessoas próximas aos organizadores, incluindo familiares e aliados diretos. Agravando o quadro, duas empresas privadas com fins lucrativos teriam ocupado cadeiras reservadas exclusivamente a entidades representativas da sociedade civil, em flagrante desrespeito às normas do processo.
As investigações tiveram início no segundo semestre de 2025, impulsionadas por comunicações internas encaminhadas pela própria presidência do Detran às autoridades competentes. O que deveria ser uma seleção transparente e isonômica revelou-se, na prática, um mecanismo de favorecimento particular, subvertido por agentes públicos e privados com interesses convergentes.
Entre os crimes apurados está ainda a prática conhecida como “rachadinha”, esquema no qual parte da remuneração recebida pelos membros das juntas durante as sessões de julgamento era sistematicamente desviada para os coordenadores do grupo.
Imagem: PCSC

