
Por mais de quatro décadas, uma mulher foi submetida, pelos próprios familiares, a um regime de exploração doméstica que as autoridades classificam como análogo à escravidão. O resgate ocorreu no dia 12 de maio, em uma propriedade rural de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, mas a operação só veio a público na última sexta-feira (22).
Auditores-Fiscais do Trabalho vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego apuraram que a vítima era compelida, desde a infância, a executar tarefas domésticas de forma contínua, sem receber qualquer remuneração, sem autonomia e completamente à margem dos direitos trabalhistas. A fiscalização constatou indícios de jornada extenuante, condições precárias de moradia e restrição severa à sua liberdade de ir e vir.
A chegada das equipes ao local não ocorreu sem resistência. Os familiares tentaram bloquear o acesso dos agentes e chegaram a ameaçá-los com facas, mesmo diante da presença policial. Após a contenção dos envolvidos, a mulher pôde finalmente ser ouvida. Ela demonstrava sinais de neurodivergência e relatou medo profundo de deixar aquele ambiente. Vizinhos confirmaram que raramente a viam fora da propriedade — retrato claro de um isolamento social imposto ao longo de anos.
Na mesma propriedade, os fiscais encontraram uma serraria clandestina com trabalhadores sem registro, operando máquinas artesanais com partes cortantes expostas e sem qualquer equipamento de segurança. Ao menos cinco pessoas atuavam informalmente no local.
Após o resgate, a vítima foi acolhida pela rede de proteção social e encaminhada para atendimento em saúde e suporte psicossocial. A operação contou com a participação da Polícia Federal, do MPT, da DPU e de profissionais de psicologia e assistência social.
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas anonimamente pelo Sistema Ipê, da Secretaria de Inspeção do Trabalho.
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