

Um esquema perverso de exploração humana foi desmantelado na manhã desta sexta-feira (09) no bairro São Vicente, em Itajaí (SC). Em uma residência em condições extremas de insalubridade, as autoridades encontraram nove pessoas vivendo de forma degradante. A operação policial e sanitária foi deflagrada após denúncias apontarem que mais de 30 indivíduos estariam sendo submetidos a trabalho análogo à escravidão no local.
A engrenagem do crime funcionava sob a fachada de uma Organização Não Governamental (ONG) com sede em São Paulo. Pessoas em vulnerabilidade social, muitas delas em situação de rua vindas de estados como São Paulo e Pará, eram atraídas para o litoral catarinense com falsas promessas. Na prática, elas eram forçadas a recolher e triar toneladas de roupas e alimentos doados na região. O destino das peças de vestuário, no entanto, não era a caridade: o material era preparado para ser contrabandeado e revendido no Paraguai.
O “pagamento” pelo trabalho exaustivo revelou uma faceta ainda mais sombria da operação. Em vez de salários, as vítimas recebiam apenas restos de comida e entorpecentes, uma tática cruel para mantê-las dependentes e presas à residência. Durante as buscas, as equipes apreenderam drogas e uma balança de precisão no imóvel.
Após o resgate, a assistência social do município assumiu o acolhimento do grupo. O objetivo agora é abrigar as vítimas que não possuem pendências criminais e providenciar passagens para que possam retornar em segurança aos seus estados de origem, enquanto as investigações continuam para capturar os líderes do esquema.
Imagens: Secretaria de Vigilância Sanitária de Itajaí – Reprodução
