
O Brasil atravessa uma virada demográfica sem precedentes. Dados recentes do IBGE confirmam que o número de brasileiros com mais de 60 anos ultrapassou, pela primeira vez na história, o contingente de jovens entre 15 e 24 anos. A mudança, silenciosa na rotina de muita gente, carrega consequências profundas para o bolso de quem ainda trabalha e para quem já depende da Previdência.
A raiz da transformação está na queda da natalidade. A taxa de fecundidade nacional recuou para 1,57 filho por mulher, bem abaixo dos 2,1 exigidos para manter a população estável. Urbanização, maior acesso a contraceptivos e o peso crescente do custo de vida nas metrópoles explicam parte desse recuo.
Do outro lado da equação, os brasileiros vivem mais. Em pouco mais de uma década, a população com 65 anos ou mais saltou de 14 milhões para cerca de 22 milhões. As regiões Sul e Sudeste lideram o envelhecimento, com Santa Catarina no topo do ranking proporcional.
O problema se agrava com a informalidade. Aproximadamente 39 milhões de trabalhadores estão fora do sistema previdenciário formal, reduzindo a arrecadação do INSS num momento em que o número de beneficiários cresce. O rombo já ultrapassa R$ 320 bilhões.
As regras mais exigentes impostas pela reforma de 2019 tornaram a aposentadoria mais distante para muitos. Não por acaso, 24,4% dos idosos ainda estão ativos economicamente, frequentemente por necessidade, muitos em trabalhos informais ou por aplicativo.
Até 2070, projeções apontam que um em cada três brasileiros terá mais de 60 anos. O sistema público de aposentadorias enfrenta sua maior prova.
Imagem: ANPR

