
A rotina de um centro cirúrgico é um território familiar para qualquer obstetra, mas para Marcus Vinicius Trassi Neves, um procedimento específico em Chapecó marcou sua vida para sempre. Incentivado pelos colegas de profissão, ele deixou de lado a frieza técnica e decidiu participar ativamente do parto de sua própria filha, a pequena Elisa. Embora todo o acompanhamento pré-natal tenha sido conduzido por outra médica, o momento da chegada ao mundo teve o toque e o olhar do pai.
Estar do outro lado da mesa de cirurgia trouxe uma carga emocional avassaladora. O médico descreveu o período da gestação como um turbilhão, dividindo-se entre a alegria e um receio constante. O fato de conhecer profundamente todas as complicações e riscos que podem envolver uma gravidez tornou a espera muito mais tensa. Contudo, toda a ansiedade técnica desapareceu e deu lugar à emoção pura no instante em que a recém-nascida chorou pela primeira vez e foi entregue, perfeitamente saudável, aos braços da mãe.
Essa jornada intensamente pessoal não apenas aumentou a família, mas transformou a visão do profissional. Sentir na pele a vulnerabilidade e a expectativa de um pai mudou a forma como ele enxerga sua rotina nos consultórios. Hoje, os medos, as angústias e as queixas das gestantes e de seus familiares são acolhidos com uma empatia muito maior, pois ele compreende exatamente o peso e a emoção de cada etapa desse processo.
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