
A investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo a vigilância armada nas escolas de Blumenau resultou nas primeiras prisões na manhã desta quarta-feira (7). Um ex-secretário municipal, que comandou as pastas de Comunicação e do Samae na gestão anterior, foi detido em seu próprio apartamento. Um empresário do setor audiovisual também foi preso durante a ação.
O contrato milionário sob suspeita, avaliado em R$ 56 milhões, foi firmado em um momento de extrema fragilidade para a cidade. Logo após o trágico ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, que vitimou quatro crianças, a prefeitura buscou orçamentos emergenciais, com prazo de apenas 24 horas, para colocar seguranças em todas as unidades de ensino.
A investigação aponta que o processo de escolha da empresa foi fraudado. Os valores propostos pelas concorrentes, que deveriam ser sigilosos, teriam sido vazados para a vencedora, permitindo que ela oferecesse um desconto milimetricamente calculado para ganhar a disputa. O levantamento estima que cerca de R$ 2,8 milhões desse montante tenham sido desviados e entregues em dinheiro vivo a servidores públicos como propina.
A primeira fase da operação havia sido deflagrada em maio, sem detidos. Contudo, as prisões preventivas desta quarta-feira ocorreram porque os investigados teriam tentado ocultar patrimônio, disfarçar a origem dos valores e atrapalhar a coleta de provas ao longo dos últimos meses.
O ex-prefeito responsável pela gestão na época do contrato não é alvo das investigações, mas sentiu o impacto político nas urnas no último domingo (4), quando não conseguiu se eleger deputado estadual. O atual prefeito também não figura entre os investigados; em junho, ele determinou a abertura de uma auditoria interna e rompeu o contrato com a empresa de segurança. O inquérito policial está na fase final e deve ser encaminhado à Justiça em breve.
Imagem: GAECO
