
Funcionários de uma empresa de tecnologia em Blumenau tiveram a rotina interrompida na manhã desta quinta-feira (9). Ao chegarem para trabalhar na sede, localizada no bairro Itoupava Seca, foram orientados por policiais a voltar para casa, sem poder entrar no prédio.
A empresa, com mais de três décadas de atuação, é alvo da Operação Gaiola Digital, conduzida pelo Gaeco e pelo Grupo Especial Anticorrupção. As investigações apuram suspeitas de participação em um esquema de direcionamento de licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes ligados a contratos com prefeituras e câmaras de vereadores em Santa Catarina.
No total, 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Blumenau e em residências de investigados em outras seis cidades: Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani. Entre os investigados estão um prefeito do Oeste, uma servidora do Litoral Norte e um ex-vice-prefeito do Planalto Norte.
De acordo com o Ministério Público, o grupo teria atuado influenciando editais e critérios técnicos para garantir que sistemas de gestão pública fossem contratados pela empresa previamente escolhida, em troca de pagamento de propina. As apurações indicam divisão de funções entre núcleos responsáveis por negociar com agentes públicos, produzir documentos, operacionalizar pagamentos irregulares e movimentar recursos para ocultar sua origem.
As movimentações financeiras suspeitas, identificadas entre 2022 e 2026, incluem saques fracionados e operações voltadas à formação de um caixa paralelo, somando milhões de reais. A empresa não se manifestou até o momento.
Imagem: GAECO /Divulgação

