
Um condutor de 46 anos que atropelou e provocou a morte do trabalhador ganês Abdul Manaf Inusah, de 28 anos, recebeu liberdade provisória após audiência de custódia realizada pela Vara de Garantias da comarca de Criciúma. O motorista pagou fiança equivalente a dez salários mínimos, totalizando R$ 16,2 mil.
O sinistro fatal ocorreu na madrugada de sexta-feira (3), na rua Vitória, bairro Raichaski, em Içara, no Sul catarinense. Inusah trabalhava na coleta de resíduos quando foi atingido por um veículo Nissan Frontier.
Conforme relatório do Corpo de Bombeiros Militar, o trabalhador foi localizado inconsciente sobre a via, apresentando pulso débil e ferimento exposto com hemorragia na região da perna direita. Encaminhado ao Hospital São Donato pelo Samu, não resistiu aos ferimentos sofridos.
A Polícia Militar constatou que o motorista exibia sinais aparentes de intoxicação alcoólica e admitiu ter ingerido bebidas antes do acidente. Não foram identificados indícios de tentativa de frenagem ou desvio anterior à colisão. O homem foi conduzido à delegacia acusado de homicídio culposo.
Além da fiança, a Justiça impôs medidas cautelares rigorosas: suspensão do direito de dirigir por seis meses, proibição de obter habilitação durante esse período, comparecimento obrigatório em todos os atos processuais, manutenção de endereço e telefone atualizados, e restrição de ausência da comarca por mais de oito dias sem autorização judicial.
Sulaima Mustafha, familiar de Inusah, expressou preocupação com a liberação: “O motorista foi liberado. Estou rezando para não ser o final do que aconteceu”. Ele reforçou que a família busca apenas justiça, não vingança: “Nós queremos o direito dele. Se fosse um colega do Brasil, o direito trataria. Queremos tratar o Manaf do mesmo jeito”.
Inusah sustentava a esposa, filho e mãe em Gana, enviando recursos regularmente. Seu último envio ocorreu na quinta-feira, um dia antes do atropelamento.
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