
O caso de violência que chocou Palhoça, na Grande Florianópolis, ganha novos desdobramentos jurídicos. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) investiga o padrasto que foi preso em flagrante após ser filmado agredindo o enteado de um ano e seis meses dentro de um carro, e já avalia enquadrá-lo pelo crime de tortura. O procedimento tramita sob segredo de justiça.
O vídeo mostra a lateral de um veículo vermelho estacionado sob chuva. Pela janela do motorista, é possível ver a silhueta de um homem dentro do carro. Nas imagens, o padrasto aparece desferindo puxões de cabelo e golpes contra o menino. Do lado de fora, enquanto outros veículos seguem pela via, testemunhas registram a cena e expressam indignação.
Uma mulher que se aproxima do carro confronta o agressor:
“Tá roxo! Você deixou a criança roxa, um bebê”, afirma, em referência ao estado do rosto do menino, que, segundo ela, ficou arranhado e marcado após as agressões. O homem tenta justificar dizendo que o garoto “já estava vermelho”, mas é lembrado de que tudo está sendo filmado.
Relatos de vizinha indicam que a violência não seria um episódio isolado. Em entrevista à NDTV RECORD, uma mulher que conhece a rotina da família descreveu um cenário de negligência: o menino permanecia vários dias com a mesma roupa, tinha a troca de fraldas atrasada e apresentava sinais de falta de higiene básica. Ela também contou que o padrasto demonstrava impaciência constante, puxando a criança pelo braço e pela orelha por motivos banais.
O caso ocorreu na terça-feira (30) e mobilizou equipes da Polícia Militar, acionadas por testemunhas que presenciaram as agressões. O homem foi detido ainda no local e encaminhado à Delegacia de Polícia. A Justiça decidiu manter o suspeito em prisão preventiva.
Com essa decisão, os autos serão enviados à 10ª Promotoria de Justiça de Palhoça, responsável por atuar em crimes contra crianças com base na Lei Henry Borel, que endurece o tratamento penal em casos de violência doméstica contra menores.
Enquanto a investigação segue, o menino foi acolhido pela avó, que vive na Praia do Rosa, em Imbituba, no Sul de Santa Catarina, em busca de um ambiente seguro longe das agressões que foram registradas em vídeo e que repercutiram em todo o Estado.
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