
Mais de 41 mil plataformas de apostas eletrônicas ilegais já foram autuadas pelo Procon de Santa Catarina em uma ofensiva contra sites e aplicativos de bets que atuam sem autorização no país. Grande parte dessas plataformas pertence ao mesmo grupo econômico e opera a partir do exterior, o que torna mais complexa a fiscalização e a responsabilização dos envolvidos.
A diretora do Procon/SC, delegada Michele Alves, alerta que o avanço das apostas online deixou de ser apenas uma questão de consumo e passou a afetar profundamente a saúde financeira, a estrutura familiar e o bem-estar psicológico de milhares de pessoas. O aumento de casos de endividamento e dependência levou o órgão a ampliar ações de fiscalização e atendimento direto aos consumidores.
Nesse contexto, Michele participará no dia 6 de julho de uma reunião na sede da ONU, na Suíça, para apresentar o cenário das apostas no Brasil e discutir formas de cooperação internacional no combate às plataformas ilegais.
Os números registrados pelo Núcleo de Apoio ao Superendividado do Procon/SC são preocupantes: há casos de catarinenses que venderam carros e até imóveis para continuar apostando. Em algumas situações, as dívidas ultrapassam R$ 200 mil, resultado da contratação de empréstimos, uso de crédito consignado e do limite máximo de cartões de crédito.
O Núcleo conta com uma equipe multidisciplinar formada por advogados, psicólogos e economistas, que oferece orientação financeira, apoio psicológico e mediação com instituições bancárias para pessoas que perderam o controle das finanças devido às bets.
Desde a Copa do Mundo, mais de 200 moradores de Santa Catarina procuraram o Procon relatando dificuldades econômicas diretamente ligadas às apostas. Em paralelo, dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 402 benefícios por incapacidade temporária a trabalhadores afastados por transtornos associados ao vício em bets.
Atualmente, 187 marcas de apostas estão autorizadas a operar no Brasil pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Mesmo assim, o Procon/SC segue identificando milhares de plataformas clandestinas em atividade, que alimentam dívidas altas, desestruturação familiar e casos de dependência, evidenciando um problema que já ultrapassa as fronteiras do consumo e exige respostas mais amplas do poder público.

