
O monitoramento climático mundial entrou em estado de atenção. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), autoridade norte-americana no acompanhamento de fenômenos naturais, indicou que o El Niño em formação no Oceano Pacífico tem potencial para se tornar um dos episódios mais intensos já registrados na história desde 1950.
O que dizem as projeções As últimas medições revelaram que as águas superficiais do Pacífico, na altura da costa do Peru, já estão 0,7ºC acima da média, configurando o início oficial do fenômeno. A estimativa atual da NOAA aponta para 63% de chances de o evento atingir a categoria “super” — termo utilizado popularmente para quando o aquecimento excede a marca de 2ºC. Para efeito de comparação, essa probabilidade era de apenas 37% no mês anterior. O pico é esperado para o período entre a primavera e o verão (novembro a janeiro).
Frequência e impacto O meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra, ressalta que o aumento das temperaturas oceânicas acima de 2ºC é um evento raro e severo. Mais do que a intensidade, pesquisadores observam uma tendência preocupante: a redução do intervalo entre os eventos extremos. Se a previsão se concretizar, o período de “pausa” entre um super El Niño e outro será de menos de cinco anos, uma aceleração histórica comparada às décadas anteriores.
O que é o El Niño? O fenômeno consiste no aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Em Santa Catarina, a presença do El Niño é um fator determinante para a alteração nos padrões de precipitação, facilitando a formação de chuvas volumosas e impactando o regime climático estadual. A expectativa é que o evento atual se estenda, pelo menos, até o verão de 2027.

