
Uma investigação que começou com a suspeita de desvio de 8,4 milhões nos cofres da Prefeitura de Joaçaba. No centro das suspeitas está um único servidor público — alguém que atuava na administração municipal desde 1993, acumulando ao longo de mais de três décadas confiança, atribuições e, segundo as apurações, uma perigosa concentração de poder sobre setores estratégicos das finanças públicas.
A Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada pela Câmara de Vereadores já ouviu 15 testemunhas em seis sessões e identificou movimentações financeiras suspeitas no total de R$ 8.404.121,10, distribuídas principalmente entre duas contas municipais: uma vinculada à cota-parte do ICMS e outra destinada ao pagamento da folha salarial dos servidores. O período investigado vai de 2017 a 2025 — oito anos durante os quais as irregularidades teriam passado sem ser detectadas por auditorias internas ou mecanismos de controle administrativo.
Um detalhe que chamou atenção dos vereadores foi o acúmulo de mais de 260 dias de férias e licenças não utilizadas pelo servidor, reforçando a imagem de alguém que raramente se afastava do cargo que ocupava.
As inconsistências foram detectadas inicialmente por meio de análise documental, que revelou divergências entre extratos bancários e os registros oficiais da contabilidade municipal. O servidor foi afastado cautelarmente, e as investigações seguem em curso com a CPI solicitando prorrogação de mais 60 dias para concluir os trabalhos.

