
Dez anos depois de um dos crimes mais perturbadores já registrados no Alto Vale do Itajaí, a Justiça de Santa Catarina proferiu sua sentença. Na madrugada desta quarta-feira (13), após uma sessão que se estendeu por 16 horas no Tribunal do Júri de Florianópolis, o principal responsável pelo estupro e assassinato de Ana Beatriz Schelter, morta aos 12 anos em Rio do Sul, foi condenado a 58 anos, nove meses de reclusão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
O réu, de 58 anos, permanecia preso de forma preventiva desde 2020. A condenação abrange crimes de abuso sexual de menor vulnerável — praticado em conjunto com outras pessoas, mediante emboscada e com abuso de confiança —, homicídio qualificado por asfixia com caracterização de feminicídio agravado pela idade da vítima, e fraude processual por adulteração da cena do crime.
Ana Beatriz desapareceu em março de 2016 a caminho da escola. Seu corpo foi localizado no dia seguinte dentro do baú de um caminhão, em uma empresa próxima à sua casa. Uma corda estava presa ao pescoço da menina, simulando suicídio — cenário que as investigações logo desfizeram.
Segundo o Ministério Público, o condenado, frequentador da mesma igreja que a família da vítima, ofereceu carona à menina acompanhado de um comparsa. Os dois teriam cometido o abuso antes de silenciá-la para encobrir o crime.
Pais, familiares e amigos acompanharam o julgamento durante toda a sessão vestindo camisetas com a foto de Ana. “A justiça foi feita”, disse o pai da menina ao término do júri.
Outros dois acusados ainda aguardam julgamento em liberdade.

