
A Polícia Civil de Santa Catarina (PC-SC) detalhou que a organização criminosa responsável por aplicar golpes em clientes da Havan utilizava uma estrutura financeira sofisticada para ocultar a origem do dinheiro obtido ilegalmente. De acordo com a investigação, o grupo se valia de técnicas típicas de lavagem de dinheiro para dificultar o rastreamento dos valores.
Conforme o relatório policial, os criminosos fragmentavam os depósitos em quantias menores, faziam sucessivas transferências entre contas de pessoas interpostas e utilizavam empresas para mascarar a procedência dos recursos. Também foi identificado o chamado mirroring, quando valores idênticos são repassados rapidamente entre contas distintas, criando um “espelho” de transações com aparência de legalidade.
Os investigadores explicam que, assim que o dinheiro das vítimas caía nas contas ligadas à quadrilha, os valores eram rapidamente redistribuídos. A quantia era pulverizada por meio de diversas operações bancárias, envolvendo vários integrantes do esquema, justamente para tornar mais complexo o caminho de volta até a fonte ilícita dos recursos.
A continuidade das apurações envolve agora a perícia em celulares, computadores, documentos e outros materiais apreendidos durante a Operação Dublê, deflagrada nesta quinta-feira (26) em cidades do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
O objetivo é identificar se há mais pessoas envolvidas, ampliar o mapeamento do número de vítimas e esclarecer de forma precisa como os criminosos tiveram acesso aos dados de clientes com crediário em aberto. A PC-SC já adiantou que, até o momento, não há indícios de participação de funcionários da Havan no vazamento dessas informações.
Os investigados respondem pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades, o que impede a localização de eventuais defesas para manifestação.
O dono da Havan, Luciano Hang, comentou publicamente o caso em suas redes sociais, classificando o esquema como revoltante e reforçando o alerta para que consumidores desconfiem de pedidos de dinheiro, promessas de ganhos fáceis ou ofertas em nome da empresa sem confirmação nos canais oficiais da rede.
Imagem: PCSC

