
O clima de tensão no PSD catarinense ganhou contornos oficiais nesta sexta-feira (13). Em coletiva realizada em Chapecó, a direção estadual do partido confirmou que o prefeito João Rodrigues segue como pré-candidato ao governo de Santa Catarina e anunciou a abertura de processo para expulsar o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, acusado de atuar contra o projeto político da sigla.
O anúncio foi feito pelo presidente estadual do PSD, Eron Giordani, que comunicou a convocação de uma reunião da executiva para a próxima segunda-feira (16), em Florianópolis. Na pauta, estará o início formal do processo disciplinar que pode resultar na saída de Topázio do partido.
Segundo Giordani, a medida é uma resposta a uma sequência de atitudes consideradas incompatíveis com as decisões coletivas da legenda no Estado. “Estará na pauta a abertura do processo de expulsão do prefeito Topázio Neto, para que possamos voltar a ter um ambiente de unidade, sadio, onde queiram apoiar os projetos do partido, e não projetos pessoais. Que fique como efeito pedagógico. Estar no PSD é apoiar o projeto liderado pelo prefeito João Rodrigues”, afirmou.
Crise exposta e confronto público 🔥
A disputa interna veio à tona de forma mais contundente na quinta-feira (12), quando o ex-governador Jorge Bornhausen convocou a imprensa em Florianópolis e declarou que João Rodrigues não seria mais o candidato do PSD ao governo.
Na ocasião, Bornhausen atribuiu a mudança a um impasse em torno da permanência de Topázio Neto na sigla e chegou a citar outros nomes como possíveis candidatos: o presidente da Alesc, Júlio Garcia, o deputado Napoleão Bernardes e o ex-governador Raimundo Colombo.
A declaração acirrou a crise, que já vinha se desenhando desde que Topázio manifestou apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL), contrariando a estratégia do PSD de lançar candidatura própria em 2026.
‘Projeto de Estado’ e cobrança de lealdade 🏛️
Na coletiva em Chapecó, João Rodrigues reforçou que sua pré-candidatura integra um plano mais amplo, que ele define como um “Projeto de Estado”, e não apenas uma disputa eleitoral. Segundo o prefeito, esse projeto vem sendo construído com planejamento e programa de governo — algo que, em sua visão, não foi respeitado por Topázio.
“Eu fico dependendo do que a executiva nacional pensa. Qual é a atitude? Continuar o empoderamento ao traidor ou valorizar quem vai pra luta, pra manter um projeto de Estado, com política séria. O nosso princípio básico é a palavra. Palavra não se trai. O que mantém o homem público em pé é a palavra”, declarou Rodrigues, em tom de recado à direção nacional do partido.
Eron Giordani reforçou as críticas ao prefeito de Florianópolis, citando episódios que, segundo ele, demonstram o distanciamento de Topázio em relação ao PSD catarinense. “O prefeito devia ter sido fiel ao grupo ao qual pertence. E o que vimos pós-eleição de 2024 foi exatamente o contrário. Fizemos inúmeros encontros pelo Estado e nunca podemos contar com sua presença”, disse.
Ele também mencionou a decisão de Topázio de lançar seu chefe de gabinete para disputar eleição por outro partido, o Podemos, e a recente declaração de que permaneceria no PSD, mas apoiando a reeleição de Jorginho Mello. Para a cúpula estadual, o prefeito da Capital também teria trabalhado para desmobilizar alianças do PSD em Santa Catarina.
Lançamento da pré-campanha e recado ao Palácio 📢
Ao final da coletiva, João Rodrigues confirmou a realização do evento de lançamento oficial de sua pré-campanha ao governo do Estado, marcado para o dia 21 de março, em Chapecó. O ato, segundo ele, será uma demonstração de força do grupo dentro do partido e uma resposta ao “sistema”.
“Mexeram com o grupo errado. Jorginho… Aguarde”, provocou o prefeito, em referência ao atual governador e provável adversário nas urnas.
Com a decisão de manter Rodrigues à frente do projeto e de avançar na expulsão de Topázio, o PSD de Santa Catarina escancara a disputa interna, mas também tenta passar a mensagem de que o comando estadual não pretende recuar de sua estratégia de candidatura própria ao governo em 2026.
Imagem: Reproduçao

