
Duas professoras de uma creche particular em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram presas preventivamente na terça-feira (3), suspeitas de submeter crianças de dois a cinco anos a um esquema de dopagem e maus-tratos. A ação faz parte da operação “Dose de Silêncio”, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em conjunto com a Brigada Militar e o Gaeco.
De acordo com as investigações, as educadoras administravam medicamentos sedativos sem qualquer prescrição médica, com o objetivo de manter os alunos sonolentos e, assim, facilitar o controle da rotina escolar. As crianças, segundo o MPRS, eram vítimas de tortura e lesões corporais, além de agressões psicológicas.
O caso começou a vir à tona em dezembro, quando mães passaram a perceber alterações bruscas de comportamento nos filhos, como apatia, sonolência excessiva e medo de retornar à escola. A partir das denúncias, a Polícia Civil reuniu fotos e trocas de mensagens em que as suspeitas tratavam abertamente sobre o aumento das doses dos remédios para “acalmar” as turmas. Há também relatos de negligência com higiene e de castigos considerados degradantes.
A promotora de Justiça Karen Mallmann, da 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Alvorada, destacou a quebra de confiança no ambiente que deveria ser de proteção. Segundo ela, as crianças foram entregues pelos pais a cuidados que deveriam ser seguros, mas acabaram expostas a sedação indevida e violência. A gravidade dos fatos e o risco de interferência nas investigações embasaram o pedido de prisão preventiva, que também levou em conta tentativas das investigadas de influenciar o depoimento de testemunhas.
A creche Rafa Kids, onde os crimes teriam ocorrido, já havia sido interditada pela Vigilância Sanitária em 2023, reaberto em 2024 e, posteriormente, fechada em definitivo. As prisões foram efetuadas em Alvorada e Canoas, dentro da operação “Dose de Silêncio”, que segue apurando a extensão dos abusos e o número total de vítimas.
Imagem: Polícia Civil
