
As novas regras de segurança do Pix, estabelecidas pelo Banco Central (BC), já estão em vigor e trazem mudanças importantes para reforçar a proteção dos usuários contra golpes e fraudes. As medidas, que passaram a valer na última segunda-feira (2), têm como principal objetivo acelerar a recuperação de valores transferidos de forma indevida e tornar mais eficiente a atuação das instituições financeiras diante de movimentações suspeitas.
Com a atualização, os bancos passam a ter maior autonomia — e também responsabilidade — para bloquear contas e valores envolvidos em transações consideradas irregulares. Além disso, foi intensificado o compartilhamento de informações entre as instituições, permitindo uma atuação mais coordenada e rápida para conter a circulação do dinheiro desviado.
Segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor, Stefano Ribeiro Ferri, a principal mudança está na agilidade da resposta do sistema financeiro. De acordo com ele, a redução do tempo entre a identificação do golpe e o bloqueio dos valores aumenta as chances de minimizar o prejuízo das vítimas.
Entre os destaques da nova regulamentação está o chamado “bloqueio em cadeia”. Na prática, quando um golpe é identificado, não apenas a conta que recebeu o valor pode ser bloqueada cautelarmente, mas também outras contas que tenham recebido transferências subsequentes. O mecanismo cria um efeito sequencial que dificulta a dispersão rápida do dinheiro, comum em esquemas fraudulentos.
Apesar do avanço, especialistas alertam que as novas regras não garantem devolução automática do valor perdido. O ressarcimento dependerá da análise do caso, do cumprimento dos prazos e, principalmente, da existência de saldo disponível para bloqueio nas contas envolvidas.
Caso o consumidor seja vítima de golpe via Pix, a orientação é agir imediatamente: registrar a contestação no aplicativo do banco, selecionar a opção relacionada a fraude ou golpe, acionar o atendimento da instituição financeira e guardar comprovantes, prints e conversas que possam servir como prova.
Mesmo com o reforço nas ferramentas de segurança, o cuidado individual continua sendo essencial. Desconfiar de pedidos urgentes, verificar atentamente os dados do destinatário antes de confirmar a transação e nunca compartilhar senhas ou códigos de segurança permanecem como atitudes fundamentais para evitar prejuízos.
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