
Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego revelou uma das histórias mais chocantes de exploração humana já registradas em Santa Catarina. Uma mulher foi resgatada em uma propriedade rural no município de Benedito Novo após passar mais de quatro décadas de sua vida em condições análogas à escravidão, sem receber salário, sem liberdade de ir e vir e sem acesso a qualquer direito básico garantido por lei.
Segundo as investigações, a vítima começou a ser explorada ainda na infância, realizando serviços domésticos de forma contínua e compulsória ao longo de toda a sua vida. Décadas de trabalho forçado, isolamento social e ausência completa de remuneração compõem um quadro que os próprios fiscais classificaram como de extrema gravidade.
O caso chegou ao conhecimento das autoridades por meio de denúncias encaminhadas aos órgãos de fiscalização, que identificaram sinais evidentes de exploração prolongada, jornadas exaustivas e confinamento social da vítima.
A operação, porém, não transcorreu sem resistência. Ao tentarem acessar a propriedade, os agentes foram recebidos com hostilidade por familiares dos responsáveis, que chegaram a empunhar facas para impedir a entrada das equipes, mesmo diante do apoio policial presente na ação.
Após o resgate, a mulher foi encaminhada para atendimento especializado e acolhida pela rede de proteção social.
A operação ainda revelou uma segunda irregularidade grave no mesmo local: uma serraria funcionava clandestinamente na propriedade, com trabalhadores sem registro formal e submetidos a condições perigosas de trabalho, expondo vidas a riscos diários sem qualquer amparo legal.
Imagem: SIT / Reprodução

