
A paralisação dos caminhoneiros em Santa Catarina está marcada para começar oficialmente nesta quinta-feira (19), às 13h, e não tem previsão de término. De acordo com o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes (Sinditac), Vanderlei de Oliveira, o movimento deve ser mantido até que o Governo Federal promova um reajuste na tabela nacional do frete, acompanhando a recente alta do diesel.
“A greve tem dia e hora para começar, mas não tem data para acabar. Para isso, dependemos de o governo ajustar a tabela mínima de frete da ANTT em relação ao aumento do diesel. É essa a nossa principal cobrança”, reforçou Oliveira.
Em Itajaí, motoristas se reuniram na terça-feira (17) no posto Dalçoquio, no bairro Salseiros, onde foi realizada uma assembleia da categoria. Ao final do encontro, os caminhoneiros decidiram aderir à paralisação, que deve envolver trabalhadores de diversas cidades do litoral catarinense, em sintonia com outros importantes polos portuários do país.
Segundo Vanderlei, a região fará parte de um movimento mais amplo:
“Ficou definido que a greve nacional será acompanhada em Itajaí, Navegantes, Imbituba e Itapoá. Essa organização está sendo feita em conjunto com portos como Rio Grande, Paranaguá, Santos, Rio de Janeiro, Bahia e Suape”, detalhou o presidente do Sinditac.
A principal queixa dos caminhoneiros é a disparada no preço do diesel, sem que haja, na visão da categoria, um ajuste equivalente no valor do frete.
“O diesel aumentou e o frete não acompanhou. Esse é o problema central em todo o Brasil”, resumiu Oliveira.
Os motoristas cobram a aplicação efetiva do chamado “gatilho do frete”, mecanismo criado após a greve de 2018 e que prevê reajustes automáticos na tabela mínima sempre que há alta significativa no combustível. Segundo os representantes da categoria, esse dispositivo não vem sendo acionado como deveria.
“A maior reclamação é que o gatilho do diesel na tabela de frete não foi aplicado pelo governo. Esse é um dos principais motivos da greve. Além disso, há empresas pagando abaixo do piso mínimo estabelecido”, acrescentou o dirigente sindical.
Em nota, a Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) informou que a paralisação foi decidida de maneira “legítima e organizada”, em alinhamento com reivindicações discutidas em âmbito nacional. A entidade não descarta ampliar o movimento, caso não haja respostas concretas por parte das autoridades.
O cenário se agravou após o anúncio de um reajuste de 11,6% no preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras, o que reacendeu o alerta no setor de transporte rodoviário.
Sérgio Pereira lembra que o combustível é, historicamente, um dos principais componentes do custo da atividade:
“Cada operação tem uma realidade própria, mas a estimativa geral aponta para um aumento entre 10% e 12% no valor do frete para tentar compensar a alta do diesel”, explicou.
Segundo o dirigente, muitos caminhoneiros autônomos já reduziram o ritmo de trabalho ou suspenderam viagens diante da elevação dos custos:
“Em alguns casos, é mais vantajoso deixar o caminhão parado do que rodar no prejuízo. Muitos profissionais esperam uma estabilização do mercado e um posicionamento claro do governo para voltar a operar em plena carga”, concluiu, reforçando a expectativa de que as autoridades apresentem medidas concretas para evitar que a paralisação se espalhe e se prolongue pelo país.
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