
Queda no valor pago ao agricultor, abaixo do custo de produção, provoca desperdício no Alto Vale do Itajaí.
Montes de cebola chamaram a atenção de motoristas que trafegavam por uma rodovia em Aurora, no Alto Vale do Itajaí, nos últimos dias. Pelo menos 11 grandes amontoados do alimento foram despejados à margem da estrada, em um cenário que escancara a crise enfrentada por produtores da região.
A decisão de descartar a produção ocorre após a forte desvalorização do produto no mercado. Segundo agricultores locais, o preço pago pela saca caiu a níveis inferiores ao custo de cultivo, inviabilizando a comercialização. Diante da dificuldade de escoar a safra e dos prejuízos acumulados, parte dos produtores optou por não arcar com despesas adicionais de transporte e armazenamento.
Aurora está localizada a cerca de 14 quilômetros de Ituporanga, município reconhecido nacionalmente como um dos maiores polos produtores de cebola do país. Assim como outras cidades do Alto Vale, a economia local depende fortemente da cadeia produtiva do alimento. A atual safra, considerada volumosa, ampliou a oferta no mercado e pressionou ainda mais os preços.
O terreno onde as cebolas foram deixadas pertence a um morador da região, que autorizou o descarte. A informação é de que o material será reaproveitado como adubo orgânico, alternativa encontrada para minimizar impactos ambientais e reduzir perdas totais.
A crise levou a Prefeitura de Ituporanga a decretar situação de emergência econômica na cadeia produtiva da cebola. O decreto, com validade inicial de 180 dias, permite a adoção de medidas administrativas extraordinárias. Entre as ações previstas estão a ampliação de programas de apoio ao produtor, facilitação de acesso a crédito e renegociação de dívidas, além da busca por auxílio técnico e financeiro junto aos governos estadual e federal.
A Secretaria Municipal de Agricultura ficará responsável por acompanhar o cenário e monitorar os efeitos das medidas emergenciais. O setor produtivo aguarda respostas rápidas para evitar que novos volumes da safra tenham o mesmo destino e para reduzir os impactos econômicos e sociais em uma das atividades mais importantes do Alto Vale do Itajaí.
Foto: Divulgação
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