
Na manhã desta terça-feira (3), uma operação da Polícia Civil colocou o vereador Almir Vieira (PP), de Blumenau, no centro de uma investigação que apura o suposto recebimento de vantagens indevidas ligadas a contratos firmados com a administração municipal. Paralelamente, equipes da Delegacia de Investigações Criminais (DIC) e da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Capitais (DECRIM) também investigam a possível prática conhecida como “rachadinha” no gabinete parlamentar, que consiste na exigência de repasse de parte do salário de servidores comissionados.
Batizada de “Happy Nation”, a ação ocorreu simultaneamente em Blumenau, Videira, Balneário Camboriú e Itapema, mobilizando mais de 40 policiais civis para o cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão. Em Blumenau, três pessoas foram presas em flagrante, conforme informou o delegado André Marafigo, responsável pela condução das investigações.
Entre os detidos estava o próprio vereador, que foi preso durante a manhã e liberado à tarde após passar por audiência de custódia. Durante as buscas, a polícia localizou valores considerados elevados em dinheiro, estimados em cerca de R$ 30 mil, entre moeda nacional e estrangeira, que estavam em posse de Vieira. Além disso, três veículos e equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores, foram apreendidos para análise.
De acordo com o delegado, os materiais recolhidos servirão para aprofundar a investigação, que teve início ainda em 2024 e se estende aos quatro municípios alvos da operação. Um dos investigados chegou a ser detido por posse de munições de uso permitido e foi liberado após pagamento de fiança. Outros dois foram presos em flagrante por suspeita de lavagem de capitais.
A operação também alcançou um gabinete da Câmara de Vereadores, sem relação direta com Almir Vieira, por envolver um servidor que ocupou cargo de direção no Legislativo até o ano passado. Já na esfera do Executivo, um servidor comissionado indicado pelo vereador e lotado na Secretaria de Trânsito e Transportes foi exonerado por decisão do prefeito Egídio Ferrari, conforme publicação no Diário Oficial.
Em nota divulgada nas redes sociais, Almir Vieira afirmou que está em casa, ao lado da família, e à disposição das autoridades. Disse ainda que seguirá exercendo o mandato e que confia no esclarecimento dos fatos. A Câmara de Vereadores de Blumenau, por sua vez, informou que colabora com as investigações e ressaltou que a apuração se refere a eventuais condutas individuais, não à instituição como um todo.
Imagem: Câmara Municipal de Blumenau / Reprodução
